terça-feira, 22 de abril de 2014

Como faço?

Quando vou te ver, te olhar, não sei. Quem sabe? A dúvida é também o que me apega. A possibilidade, sempre ainda viva, sempre ainda aqui, de que a gente nunca mais se veja. E a contrapartida: a de que nos vejamos ainda esse mês. 

 A imensidão do futuro me acossa, eu me encolho. Minha vida vasta, talvez, anos a frente, talvez, e sua participação incerta. Sua presença numa esquina involuntária, talvez, apenas, um aceno simples, alguma surpresa, de um lado. De outro, sua participação todos os dias, nos acordos tácitos e na redistribuição mais íntima de todos os meus investimentos. 

 Não saber de você. Não ter notícias suas. Ser possível que elas sejam as melhores, ser possível que haja um novo alguém, ser possível que você esteja sofrendo, na nossa distância, mais do que eu. A infinitude de versões da sua vida me esmaga. É como se eu tivesse sido jogada em qualquer ponto do universo com uma parafernália de astronauta que não me permite morrer logo. Um ponto sem gravidade a partir de onde eu veja, se procurar um pouco, e sem realce, a Terra. E pense, no desespero mais privado, em como faço pra voltar.

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