terça-feira, 1 de abril de 2014

Eu não caibo no corpo que me move, na casa que habito, no sorriso que dou, no choro que guardo. Eu não caibo no punho que esmurra a injustiça que sofro, no abraço que eu não recebo, no que quero dar e não posso, no que quero dar e não consigo, no que dou nas pessas o tempo todo. Eu não caibo na luta que deveria me representar, na cama que deveria me aconchegar, ainda que ela tenha espaço suficiente para mim, eu não caibo. Não caibo na fé que eu sinto, no amor que eu grito, na dor que eu abafo. Eu não caibo no oceano onde mergulho, no céu que me cobre, na mão que me afaga. Nunca caberei, sei, bem sei. Viver não tem cabimento. E no entanto vou vivendo a ironia de tentar caber. Vai que?

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